Cases

F2J TechPlast Argentina

CEO · fev/2025 a fev/2026
Sobreviver à saída de VW e Nissan e reconstruir o EBITDA

Como CEO da F2J TechPlast, reconstruí a governança do zero e criei um plano que leva o EBITDA de muito negativo a +6%, já em execução nos primeiros meses.

O desafio

Restabelecer a lucratividade após a perda de dois clientes estratégicos

A F2J TechPlast fornece peças plásticas para montadoras na Argentina, com fábricas em Córdoba e em Garin. A missão era clara e dura: sair de um EBITDA muito negativo para um patamar positivo, acima de 5%, no curto a médio prazo.

O rombo tinha origem em dois eventos praticamente simultâneos: o fim do projeto da VW em Buenos Aires e a saída inesperada da Nissan em Córdoba, por encerramento da produção local. Saídas assim são traumáticas para qualquer fornecedor, ainda mais quando acontecem antes do fim do ciclo de vida do projeto, o que significa que os investimentos feitos não foram depreciados e o retorno planejado simplesmente não aconteceu.

Havia também um desafio pessoal somado ao técnico: pela primeira vez na carreira, a resposta era direta aos donos do capital, os dois sócios operacionais do grupo, e não a um comitê. Isso exigiu assumir de perto áreas que eu ainda não havia liderado diretamente, do comercial e engenharia de produto a toda a área financeira e de tecnologia da informação.

O segundo diagnóstico

Zero cultura de custos

Um ponto duro e surpreendente foi descobrir que, apesar de um faturamento de porte médio, não existia nenhuma cultura de custos, nem sistemas capazes de apurá-los corretamente. O orçamento não era estruturado: era definido por regra de três e já não se cumpria na primeira semana, porque nunca fora realista. As reuniões de resultado serviam para justificar o não cumprimento das metas, não para corrigi-lo.

Sem donos, sem objetivos individuais

As pessoas não tinham objetivos dentro do próprio perímetro. Os únicos indicadores que valiam eram qualidade e entrega, que não conversavam com a performance econômica.

Compras em regime de "open bar"

Qualquer pessoa comprava quase qualquer coisa, sem aprovação, e tudo era tratado como urgente, o que eliminava a chance de negociar valor e deixava só o prazo como variável.

Silos blindados sob cultura centralizadora

As áreas não conversavam entre si. Não havia uma equipe trabalhando, apenas atores individuais disputando poder dentro dos próprios silos.

A abordagem

Reconstruir a governança do zero

Do diagnóstico da equipe à mensuração de resultados, um processo estruturado que liga coesão a metas.

#
1

Team building e formação de liderança

A virada começou com um team building de dois dias, com treinamentos de liderança que eu mesmo conduzi, e uma agenda-padrão de reuniões que substituiu a antiga guerra de poder em que ninguém comparecia às reuniões de ninguém.

#
2

Um novo ERP para toda a empresa

Colocamos o sistema TOTVS em funcionamento nas fábricas e em toda a companhia, substituindo um sistema caseiro de mais de 20 anos. O custo real passou a ser atualizado diariamente, e não uma vez por trimestre.

#
3

Aprovação de compras centralizada

Instâncias semanais de aprovação de compras foram criadas, encerrando o regime de "open bar" e devolvendo à empresa a capacidade de negociar valor em vez de pagar pela urgência.

#
4

Comitês de resultado com PDCA e acordo social

As reuniões de resultado passaram a seguir a lógica do PDCA, com responsáveis nomeados por linha. Em paralelo, um acordo social foi negociado com o sindicato, difícil, mas necessário para manter a operação viva.

Resultados

Um plano de recuperação real, já em execução

+6%

Plano robusto para reverter o EBITDA de muito negativo a +6%, com responsáveis nomeados para cada linha.

Já nos primeiros meses, a linha de objetivos do plano está sendo cumprida. É um plano real e factível, não apenas teórico.

-30%

Base de cenário construída sobre uma queda de 30% na demanda, para que o resultado resista mesmo a um contexto adverso.

Por que este case importa

Um plano de recuperação só é confiável quando resiste ao pior cenário plausível, não apenas ao mais provável. E cultura de custos não nasce de planilhas: nasce de accountability individual, de comitês que realmente acontecem e de sistemas que mostram o custo real todos os dias.

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